Santa Marta de Penaguião Sociedade

Santa Marta de Penaguião celebrou a sua identidade com os olhos postos no futuro

O Dia do Município de Santa Marta de Penaguião foi assinalado a 29 de julho com um programa que procurou cruzar memória, identidade e reflexão sobre o futuro do território. Entre a homenagem às mulheres que dão rosto ao Douro e o debate sobre os desafios que marcam a região, as comemorações tiveram como denominador comum a valorização das pessoas e da terra que continuam a definir o concelho.

Santa Marta de Penaguião voltou a celebrar o seu Dia do Município num momento que pretendeu ser mais do que uma celebração institucional. O 29 de julho, feriado municipal e dia dedicado a Santa Marta, padroeira da Região Demarcada do Douro, serviu para reunir comunidade, autarcas e convidados em torno de uma ideia comum: afirmar a identidade de um concelho profundamente ligado ao Douro e, simultaneamente, discutir os desafios que condicionam o seu futuro.

Para a presidente da Câmara Municipal, Sílvia Silva, esta é também “uma data de afirmação de uma identidade que ultrapassa as fronteiras do próprio município. Santa Marta de Penaguião assume-se como território duriense e procura reforçar essa ligação através da valorização do património, da cultura, da produção local e, sobretudo, das pessoas que mantêm viva a atividade e a paisagem do Douro”.

Essa dimensão humana esteve particularmente presente na inauguração da exposição fotográfica “Mãos que Sustentam o Douro”, uma mostra que coloca no centro do olhar mulheres do concelho e da região. Através da fotografia, a exposição “procura dar rosto a quem, muitas vezes longe dos grandes discursos sobre o Douro, continua diariamente a trabalhar, cuidar e preservar um território cuja paisagem e identidade são indissociáveis da ação humana”.

Mas se a exposição convidou a olhar para quem sustenta diariamente o Douro, a mesa-redonda “O Douro que nos preocupa” colocou em cima da mesa algumas das questões que hoje inquietam a região. O debate procurou levar para o centro da discussão os problemas que afetam o território e, sobretudo, a necessidade de encontrar respostas que permitam garantir futuro a uma região que enfrenta desafios económicos, demográficos, ambientais e sociais.

A escolha do tema não é alheia à realidade de Santa Marta de Penaguião. O município vive profundamente ligado à vitivinicultura e à paisagem duriense, mas enfrenta, como muitos outros territórios do interior, a necessidade de criar condições para fixar população, valorizar a atividade agrícola, reforçar a economia local e transformar o crescente interesse turístico pelo Douro em oportunidades efetivas para as comunidades.

É precisamente nessa conjugação entre identidade e futuro que Sílvia Silva tem colocado parte da sua visão para o concelho. A valorização dos produtos endógenos, do património e da marca territorial é apontada como “uma ferramenta importante para afirmar Santa Marta de Penaguião e criar oportunidades”. O Município tem, por exemplo, reforçado a promoção e comercialização de produtos locais através dos seus espaços turísticos, procurando valorizar vinhos, doces, compotas e outros produtos associados à identidade penaguiense.

A estratégia passa também por assumir o turismo como complemento à atividade agrícola e como forma de dar maior visibilidade ao território. Entre o Douro e o Marão, Santa Marta de Penaguião dispõe de uma paisagem que é, por si só, um dos seus principais ativos, mas que ganha valor quando associada ao património, à gastronomia, aos vinhos e às histórias das pessoas que vivem e trabalham no concelho.

O Dia do Município acabou, assim, por refletir essa dupla dimensão. Celebrar o que Santa Marta de Penaguião é e, ao mesmo tempo, discutir aquilo que pode vir a ser. Homenagear as pessoas que continuam a sustentar a paisagem e questionar que condições serão necessárias para que as próximas gerações possam continuar a viver e trabalhar neste território.

Num Douro frequentemente apresentado através das suas paisagens, dos seus vinhos e da sua dimensão turística, a mensagem deixada pelas comemorações de Santa Marta de Penaguião foi outra: “não há território sem pessoas e não há futuro para a paisagem se não houver futuro para quem nela vive”.

Últimas Notícias

Prorural | Três décadas ao lado de quem faz a agricultura do Douro

2/09/2026

Titan of Douro | Um vinho com raízes na montanha

2/09/2026

Tik & Toc | Um regresso às raízes com os olhos postos no futuro

2/09/2026

Quinta dos Nogueirões | Uma história de família que quer levar o Douro mais longe

2/09/2026

VARZ | Uma história de família com o sabor do Douro

2/09/2026

Selores | O Douro de uma pequena família que escolheu fazer vinho

1/09/2026

Quinta do Cedro | Um Douro feito com tempo, família e identidade

1/09/2026

Apresentação do livro “Encruzilhadas no Império” de Paulo Cordeiro Salgado

1/09/2026