Editorial

outubro 2025

Estimados Leitores,

As eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025 ficaram marcadas por uma forte mobilização cívica, pelos sinais claros de mudança em alguns concelhos e freguesias da região e pela reafirmação de confiança nos detentores de funções autárquicas noutros. O país — e particularmente a região do Douro — mostrou mais uma vez que o poder local continua a ser o nível mais próximo das populações e aquele onde o voto tem um impacto direto e visível na vida quotidiana das comunidades.

Este ato eleitoral revelou, acima de tudo, que os eleitores valorizam a proximidade, a capacidade de execução e a seriedade no exercício do mandato. Em vários concelhos, assistiu-se a uma renovação de lideranças — com vitórias expressivas de novos protagonistas —, enquanto noutros foi reforçada a confiança em equipas autárquicas que têm mostrado consistência, investimento e resultados. Esta dualidade não é contraditória: traduz antes um eleitorado exigente, capaz de reconhecer mérito, mas também de exigir novos caminhos quando sente que o tempo de mudança chegou.

O Douro e os territórios de baixa densidade enfrentam desafios profundos: o despovoamento, a desertificação económica e a necessidade de atrair investimento, talento e serviços públicos de qualidade. Nesse contexto, o papel dos autarcas ganha ainda mais relevância. Não basta “gerir” o presente — é preciso projetar o futuro, criar oportunidades, consolidar estratégias de desenvolvimento territorial e afirmar a região como espaço de inovação, coesão e identidade.

Por fim, importa sublinhar a responsabilidade que agora recai sobre todos os eleitos — independentemente da cor política. O voto popular não é um cheque em branco. É um mandato para servir, com transparência, competência e visão e com respeito pelas minorias, expressas nas oposições.

As comunidades esperam menos retórica e mais ação, menos divisões e mais colaboração.

Os próximos quatro anos serão decisivos para definir se este novo ciclo autárquico marcará um verdadeiro ponto de viragem para os territórios do interior. O Douro merece mais do que promessas: merece resultados.

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