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Oficinas sobre antibióticos em Armamar levam crianças a querer aprender mais sobre bactérias

Durante uma semana, as oficinas de microbiologia “Hospital dos Micróbios: Missão Antibióticos” envolveram todos os alunos do 1.º ciclo do Agrupamento de Escolas Gomes Teixeira, em Armamar, numa abordagem prática ao uso responsável dos antibióticos e ao problema da resistência bacteriana.

Os resultados do questionário pós-oficina mostram uma forte adesão das crianças à experiência. Entre os alunos que responderam, 85,8% afirmaram ter aprendido muitas coisas novas e 74% disseram querer aprender muito mais sobre a ciência que estuda as bactérias. A receção da atividade foi também muito positiva: 98,4% escolheram “espetacular” ou “interessante” para a descrever, enquanto 93,7% disseram ter gostado muito de conhecer a cientista.

A iniciativa foi promovida pela ARMA-Sci – Rede de Promoção do Capital Científico de Armamar e pelo Agrupamento de Escolas Gomes Teixeira, em colaboração com o Município de Armamar e em parceria científica com a UCIBIO – Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

Por detrás destes resultados esteve uma oficina desenhada para fazer da curiosidade o ponto de partida. A partir de perguntas, modelos e pequenos desafios, as crianças exploraram o que são bactérias, quando fazem sentido os antibióticos e como algumas bactérias conseguem sobreviver à sua ação. Mais do que transmitir regras sobre o uso destes medicamentos, o “Hospital dos Micróbios” procurou ajudar os alunos a compreender o problema e a construir uma ideia essencial: proteger os antibióticos começa também por saber pensar sobre eles.

“Estes resultados mostram que a literacia científica em saúde pode e deve começar cedo. A resistência aos antibióticos é frequentemente comunicada como um problema técnico, distante, reservado a profissionais de saúde, investigadores ou decisões tomadas no momento da doença. Mas a sua prevenção também depende da forma como as pessoas compreendem os microrganismos, os medicamentos e as consequências do seu uso. Quando damos às crianças linguagem, tempo e experiências adequadas, elas conseguem trabalhar ideias científicas exigentes e começar a construir critérios para decisões futuras. Proteger os antibióticos também passa por investir em educação desde os primeiros anos de escolaridade”, afirma Raquel Branquinho, microbiologista, investigadora da UCIBIO e presidente da ARMA-Sci.

Em Armamar, a microbiologia deixou de ser uma visita pontual à escola e faz parte de um programa pioneiro e continuado no 1.º ciclo, que acompanha as crianças ao longo do seu percurso escolar.

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