Opinião

O Papel do Conhecimento no Futuro do Douro

No próximo dia 7 de janeiro o Conselho de Reitores vai lançar a “Convenção para o Ensino Superior”, com o alto patrocínio do Presidente da República e o apoio do Primeiro Ministro, com o objetivo de perspetivar o ensino superior para a próxima década, envolvendo temas como o conhecimento e o desenvolvimento das regiões.

O próximo ano será palco de eleições nacionais e europeias, bem como da preparação do novo quadro comunitário. Dito isto, é o momento para lançar no debate público temas como as políticas públicas de ensino superior e da investigação, bem como do seu impacto no desenvolvimento das regiões e do país.

Os portugueses têm a perceção de que está tudo bem no Ensino Superior, o que, infelizmente, não corresponde à verdade. Como efeito, após um longo período de estagnação, “é tempo de preparar a próxima década!”; é tempo de pensar sobre o futuro do ensino superior de forma alargada a toda a sociedade.

É fundamental que o país assuma um posicionamento estratégico claro, de forma a explorar as alternativas de atuação e de financiamento, que melhor garantam a sua permanente renovação e adaptação a novas coordenadas envolventes.

Perspetivar uma agenda para próxima década exige também mais inclusão regional e mais integração do conhecimento nas estratégias de desenvolvimento regional, valorizando a rede atual de instituições científicas e de ensino superior.

A valorização dos recursos endógenos das regiões reclama uma estratégia de desenvolvimento que estimule uma maior interação das unidades de investigação com a economia do território, um processo que deve ser atendido no atual processo de avaliação dos centros de investigação.

O alcance desta ambição recomenda o recurso a múltiplos conhecimentos disciplinares que responda de modo inteligente e eficiente a questões técnicas, económicas e societais, visando o aumento da competitividade e do bem-estar social das regiões, numa lógica de reforço da cadeia do valor.

Indubitavelmente, o Futuro do Douro passa por uma maior interação da comunidade científica da UTAD com as organizações e a economia do território, aumentando a sua competitividade internacional e o potencial para transformar as comunidades, originar novos produtos, tecnologias inovadoras e novas ideias. A abertura à sociedade e ao mundo permitirá ambicionar uma Universidade mais comprometida com a coesão e a valorização do Douro.

É vital que as Universidades situadas nos territórios ditos desafiantes afirmem claramente o seu papel no desenvolvimento regional, garantindo uma maior interação com o tecido económico e social, em articulação com a estratégia de especialização inteligente. A estas Universidades, como à UTAD, é exigida uma abordagem transdisciplinar e sistémica dos problemas do território em que se situam, valorizando e potenciando, criativamente, os seus recursos materiais e imateriais.

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