Opinião

O Futuro da Floresta exige mais Engenharia Florestal

[caption id="attachment_1391" align="alignleft" width="300"]Por António Fontainhas Fernandes, Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Por António Fontainhas Fernandes, Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)[/caption] Nos últimos tempos a engenharia florestal tem sido uma formação com reduzida procura pelos jovens, formando-se anualmente menos de duas dezenas de licenciados em Portugal. Trata-se de um número escasso para responder aos desafios das políticas de ordenamento e de valorização do conhecimento no domínio da floresta. No entanto, o debate entre trono do flagelo dos incêndios registado neste verão mostrou claramente que Portugal tem de repensar a agenda da floresta que, obrigatoriamente, exige uma aposta na Engenharia Florestal. Os investigadores do departamento de florestal da UTAD já tinham previamente alertado que a previsão de um verão longo e seco tornava expectável esta situação, face aos níveis elevados de precipitação do inverno e primavera que atrasaram a época de fogos. Mostraram também que, em termos médios, cerca de 2,2% da floresta arde anualmente em Portugal, o valor mais elevado da Europa e um dos principais no Mundo. No rescaldo do cenário dantesco a que assistimos na comunicação social e nas redes sociais, mais do que nunca, é preciso delinear novos caminhos para a floresta. Ficou claro que a aposta na floresta deve envolver o ordenamento, a gestão florestal e a prevenção de incêndios, contrariando as políticas focalizadas no combate aos incêndios e na proteção civil. A agenda da floresta passa por um modelo de silvicultura assente na diversificação de espécies, gestão de combustíveis, requalificação de áreas ardidas, apoio fitossanitário e no serviço de ecossistemas que maximize fins múltiplos. O Futuro convoca ao envolvimento de todos os atores com competência no domínio da Floresta, envolvendo obrigatoriamente o sistema científico e do conhecimento, enquanto fator estratégico e competitivo da sociedade contemporânea, no qual os engenheiros florestais devem ter uma maior intervenção.

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