A Volta a Portugal voltou a levar o Douro para a estrada e, com ele, para as televisões e para os milhares de pessoas que acompanharam a passagem da prova. A 6.ª etapa da 87.ª edição ligou Santa Maria da Feira ao Peso da Régua, num percurso de 129 quilómetros que atravessou o território duriense e passou por Mesão Frio antes de terminar junto ao Douro, na cidade de Peso da Régua. A vitória pertenceu ao espanhol Xabier Isasa, da Euskaltel-Euskadi, que bateu Rui Oliveira na chegada ao sprint.
Mais do que uma chegada, a etapa voltou a mostrar a capacidade do desporto para promover um território que tem no património, na paisagem e no vinho alguns dos seus principais cartões de visita. Para Rui Teixeira, vice-presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua, é importante que estes acontecimentos sejam vistos numa escala mais ampla. “Alguns dos eventos que vamos tendo como esta chegada da Volta a Portugal em Bicicleta, a Meia Maratona do Douro Vinhateiro, o Campeonato do Mundo de Motonáutica ou o Douro Granfundo, não são eventos exclusivos de Peso da Régua, são eventos do Douro”.
É essa dimensão regional que, para o autarca, dá outro significado à passagem da prova. “Mais do que uma chegada à Régua, hoje temos uma chegada ao Douro, e isso enobrece a região”.
Uma visão partilhada por Cândido Barbosa, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, que destacou a importância de levar a principal prova velocipédica portuguesa a diferentes territórios do país. “O Douro é uma região importante e o objetivo da Volta é poder visitar todas as regiões do país, por isso não podia ficar de fora. Este é o nosso compromisso, abranger o máximo de território possível”.
O responsável pela Federação Portuguesa de Ciclismo sublinhou ainda a forma como a região respondeu à passagem da prova, tanto pela presença do público como pelo cenário proporcionado pelo percurso. “Foi uma etapa com imenso público do princípio ao fim, com os atletas a corresponderem realizando uma prova ao nível do Tour. Paisagens fantásticas, um percurso equilibrado e com uma chegada a Peso da Régua, com a cidade a mostrar o seu peso real e a superar todas as expectativas que tínhamos”.
A etapa foi também uma oportunidade para mostrar algumas das paisagens mais emblemáticas do território. O percurso passou por Mesão Frio e terminou no Peso da Régua depois de uma jornada exigente, levando o pelotão por algumas das estradas que melhor mostram a geografia e a identidade do Douro. Ao longo do trajeto, a presença de público reforçou a dimensão popular da prova e ajudou a transformar a passagem da Volta num momento de promoção do território.
Para a Régua, a realização de uma etapa desta dimensão aconteceu numa altura de grande movimento turístico e comercial e obrigou a preparar antecipadamente os impactos provocados pelas alterações à circulação. “Temos a noção que esta altura do ano é muito concorrida na nossa cidade e na região. Sabíamos que a chegada ia trazer alguns constrangimentos e, por essa razão, em conjunto com a Associação Comercial, montamos uma estratégia de comunicação, indo porta a porta explicar cara a cara tudo o que ia acontecer e perceber as suas preocupações, para que pudéssemos mitigar ao máximo o impacto negativo”.
Rui Teixeira reconhece que os efeitos da chegada não são iguais para todos os estabelecimentos. “Claro que há comércio que vai beneficiar muito com esta chegada da Volta a Portugal, há comércio que, por força do produto que vende, não vai beneficiar, é normal”.
Ainda assim, a autarquia olha sobretudo para o retorno da exposição proporcionada por um evento que percorre o país e chega a milhares de pessoas através da televisão e dos meios de comunicação. “A nossa aposta é nestas horas de promoção pelo país e pelo mundo, uma promoção da região e do nosso concelho”.
É também essa capacidade de mostrar o território que Cândido Barbosa considera essencial para a Volta a Portugal. Ao passar por diferentes regiões, “a prova não se limita à dimensão desportiva, contribuindo para colocar paisagens, cidades e territórios no centro das atenções de quem acompanha a competição”.
E é nesse contexto que a passagem da Volta ganha uma dimensão que ultrapassa a competição. A meta foi na Régua, mas a etapa foi também do Douro, uma montra em movimento de uma região que continua a encontrar no desporto uma forma de afirmar a sua paisagem, os seus municípios e a sua identidade.