Editorial

novembro 2025

Estimados Leitores,

Douro e Territórios de Baixa Densidade: Depois das Eleições, o Tempo das Decisões Passado o fervor eleitoral de outubro e concluído o essencial das tomadas de posse, entramos agora na fase mais exigente do ciclo autárquico: a do compromisso real com o futuro. As eleições de 2025 trouxeram sinais de mudança, renovação e confiança em diferentes pontos do Douro e do interior, mas deixaram também à vista um desafio que atravessa todos os concelhos, independentemente da cor política ou da dimensão: a urgência de travar a desertificação humana e económica que continua a corroer o coração destes territórios.

A perda de população, que é silenciosa, contínua e estrutural; é hoje a principal ameaça à sustentabilidade de muitos municípios de baixa densidade. Sem pessoas, não há economia; sem economia, não há serviços; sem serviços, não há qualidade de vida. E este ciclo, se não for interrompido, arrisca transformar regiões inteiras em espaços sem massa crítica, sem juventude e sem futuro.

É por isso que o “depois das eleições” tem de ser muito mais do que mera gestão administrativa. Para atrair famílias, fixar jovens e recuperar a vitalidade do território, os municípios precisam de assumir, com coragem e visão estratégica, um conjunto de prioridades claras, tais como: A promoção de habitação acessível e atrativa, pois a escassez e o custo da habitação tornaram-se um dos maiores bloqueios à fixação de pessoas no interior. É imperativo recuperar património devoluto, criar parques de habitação a custos controlados, incentivar a construção nova e agilizar processos urbanísticos. O interior só será competitivo se oferecer condições de vida reais para quem quer começar de novo.

O Trabalho qualificado e novas oportunidades económicas, através da captação de empresas, centros tecnológicos, indústrias verdes e unidades produtivas modernas tem de ser uma prioridade política permanente.

Mas também é necessário apoiar microempresas, promover o empreendedorismo local, criar redes de inovação e apostar na economia digital e criativa, áreas onde a distância geográfica deixou de ser um entrave e por vezes até é um impulsionador.

Serviços públicos de qualidade e proximidade pois a saúde, educação, mobilidade, cultura e apoio social são pilares essenciais para qualquer comunidade. Os municípios devem ser ativos na defesa da manutenção destes serviços, mas também inovadores: telemedicina, escolas digitais, transportes flexíveis, polos universitários e culturais descentralizados podem fazer a diferença entre ficar ou partir.

Promoção ativa do território como destino de vida, porque não basta ser um bom lugar para viver — é preciso que o país o saiba. Uma estratégia moderna de promoção territorial, dirigida a jovens famílias, trabalhadores remotos, empreendedores e até retornados da diáspora, é indispensável. A comunicação conta, e muito.

Governação colaborativa e política sem muros, uma vez que a desertificação não se combate com divisões partidárias nem com disputas menores. Exige cooperação intermunicipal, diálogo com o Governo, alianças com empresas, universidades e associações locais.

Exige visão de longo prazo e continuidade, para lá dos ciclos eleitorais.

Estamos num momento decisivo. A região do Douro e o interior português podem continuar a lamentar a perda de população, ou podem assumir uma atitude de transformação profunda, investindo naquilo que verdadeiramente conta para quem pondera mudar de vida: estabilidade, oportunidades, comunidade e qualidade de vida.

Os autarcas agora em funções têm nas mãos a responsabilidade de quebrar décadas de declínio demográfico e de abrir um novo ciclo de esperança. E as comunidades, que os elegeram, têm o direito e o dever de exigir resultados, transparência e determinação.

O interior não é um espaço condenado: é um território cheio de potencial, identidade e talento. Falta apenas que o futuro deixe de ser adiado.

É tempo de agir. É tempo de atrair. É tempo de povoar de novo.

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