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Milhares de pessoas visitam XVI Festival da Cereja em Resende

[caption id="attachment_3864" align="alignleft" width="300"] A cereja representa, em Resende, o sustento de muitas famílias // Foto: Sofia Costa[/caption] O certame que tem como principal objetivo a promoção da cereja, realizou-se nos dias 3 e 4 de junho, no Largo da Feira, em Resende. A cereja é considerada o ex libris da região e representa a atividade agrícola que mais contribui para a sustentabilidade económica do concelho. As condições climatéricas foram as ideais, a praga que tanto atormentou os resendenses no ano passado, foi combatida eficazmente, para o regalo dos produtores. Reunidas todas as condições, este ano, Resende apresenta no coração do município uma “produção de cerejas de quantidade e qualidade excelentes”. Manuel Garcez Trindade, presidente da Câmara Municipal de Resende, acredita que este evento “tem uma importância decisiva” na medida em que é a forma de sustento de diversas famílias do concelho. Surgiu para promover a cereja, mas o objetivo passa, também, por trazer visitantes a “inteirar-se do que Resende produz”. O presidente do município afirma que a expectativa “é grande” e espera que a feira ajude os produtores a serem recompensados, em relação aquilo que sofreram no ano passado. A produtora Maria Alice Pereira afirma que a expectativa é “alta porque nunca houve cereja com tanta qualidade como este ano”. Participou em todas as edições e afirma que o Festival da Cereja de Resende “é importante porque é uma forma de expor o produto e fazer com que outras pessoas venham à região”. José Guedes, produtor de cereja, recorda que “o ano passado foi difícil”, mas reforça que “este ano há muita quantidade” e refere que o “objetivo é trazer para o festival um “bom produto”, para que as pessoas sejam “bem servidas”. Pela primeira vez em exposição, Alexandra Pinto, apresenta um produto diferente, a cereja biológica. É produzida em circunstâncias especiais, como explicou ao VivaDouro, “consigo isto porque a minha propriedade está a uma quota bastante elevada, tem bastantes quebras e tenho de tirar a que está estragada, mas é importante oferecer esta cereja no mercado”. Alexandra Pinto diz que veio “com uma atitude pedagógica”, sendo que o objetivo principal é mostrar o fruto “para que os outros produtores vejam que é possível valorizar a cereja”, neste caso sem o recurso a tratamentos. Resende aposta no enriquecimento do conhecimento dos produtores da cereja O município tem vindo a apostar em iniciativas que incidem sobre os produtores de cereja com o objetivo de instruir os produtores de forma a que estes saibam, por exemplo, que tipo de cerejeira é que devem plantar, a melhor forma de fertilizar das terras, como é que se faz o regadio ou como é que se combatem as patologias das cerejeiras para que possam, efetivamente, potenciar a venda deste produto endógeno. “Ter-se-á de fazer um ordenamento do cultivo da cereja, para isso reavivamos uma Associação de Produtores de Cereja de Resende que estava inoperável e ligamos essa associação a um Gabinete de Desenvolvimento Rural que a Câmara Municipal criou para tratar dos assuntos agrícolas, especialmente cereja”, remata o presidente do município. Outra das iniciativas é a candidatura ao programa Portugal 2020, na área da promoção e comercialização da cereja. No conjunto as candidaturas valem um milhão de euros e “poderá ser uma grande ajuda”, numa região em que o produto endógeno é “o que mais contribui para a sustentabilidade económica do território”, salienta o presidente do município. O intuito desta candidatura é, também, a elaboração de um manual de boas práticas no cultivo da cereja, com a colaboração da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), da maior empresa de cereja de Resende, a Cermouros, da Câmara Municipal, de uma Agência de Desenvolvimento Rural, a DOLMEN, uma consultora e a Associação de Produtores da Cereja de Resende. A UTAD é que irá desenvolver e orientar a parte científica da cereja, nomeadamente, indicando quais as qualidades de cerejeira que se adaptam melhor às diferentes quotas e, se possível, conseguir prolongar a quantidade e produção de cerejas até ao mês de julho. Resende tem, também, em foco o mercado estrangeiro, mas para isso, Manuel Garcez Trindade explica que “é necessário uniformizar as qualidades, de forma a que haja escala de produção, porque sem escala de produção não conseguimos passar à internacionalização”.

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