Editorial

janeiro 2024

Estimados Leitores,

Vamos ter eleições em 10 de março de 2024. Percebo que andemos cansados de eleições e que a quantidade que vamos ter este ano (Açores a 4 de Fevereiro, legislativas a 10 de março e Europeias a 9 de junho) não motive especialmente os eleitores e até percebo, no caso das legislativas, que as listas conhecidas até agora não criem uma especial motivação, pois os critérios que parece serem os mais importantes continuam a ser a fidelidade partidária e a capacidade de levantar ou baixar o braço conforme for a indicação das lideranças. Com muitas e honrosas exceções.

O cidadão comum, sem interesses partidários ou políticos, não pode deixar de votar. Porque a surpresa eleitoral advém da abstenção dos bons cidadãos, que preferem ficar em casa do que exercer o seu direito e dever de voto, deixando que os outros decidam por ele ou por ela. Aqueles que têm interesses diretos nas eleições vão todos votar e podem ter a certeza de que não o vão fazer em função dos programas eleitorais ou da qualidade das listas propostas ou daquelas que são as melhores propostas para o futuro do país ou até mesmo porque o líder tem mais carisma e sedução que os outros. Não, estes vão votar apenas e só em função dos próprios umbigos e dos seus interesses individuais.

É por isto que nunca foi tão importante que o cidadão comum se levante e vá votar.

Eu ando há muitos anos a defender que o cidadão comum tem a obrigação de participar politicamente. E para participar deve ir falar com os partidos políticos, aqueles que lhe inspiram mais confiança ou conforto ou até mais identidade ideológica, no sentido de influenciar a classe política a ser melhor e a escolherem melhor. Qualquer que seja o partido, o cidadão comum deve conhecer em quem pretende votar. Não só os cabeças de lista mas todos os que vão na lista.

Porque se continuarmos a deixar que sejam os comités partidários a decidir quem nos representa então o que estamos a fazer é a deixar que sejam esses a estabelecer a ditadura dos lugares.

Por isso nunca foi tão importante que todos possamos aproveitar a democracia que se iniciou há 50 anos e exercer o direito (e o dever) que foi ganho no 25 de Abril de 1974 honrando assim o esforço que muitos fizeram para que todos sejamos livres.

Livres de votar como queremos.

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