Estimados Leitores,
A segunda volta destas eleições não é apenas um exercício de escolha entre dois nomes. É, sobretudo, uma decisão sobre que tipo de país queremos ser, que valores aceitamos normalizar e que futuro estamos dispostos a entregar — ou a perder.
Os resultados da primeira volta deixaram um sinal inquietante. Uma parte muito significativa do eleitorado mostrou abertura a discursos simplistas, agressivos e polarizadores, que prosperam mais no medo e na divisão do que na construção de soluções reais. A normalização deste tipo de discurso é extraordinariamente perigosa para a democracia, para a convivência social e para a própria ideia de bem comum.
Mais preocupante ainda é o outro número silencioso: o dos que não votaram. A abstenção, sobretudo quando nasce da indiferença ou da ideia de que “os candidatos nada dizem”, cria o terreno fértil onde prosperam os extremos.
A história ensina-nos isso de forma clara e repetida. Nunca foi tão importante votar como agora. Porque não votar é permitir que outros decidam por nós. É aceitar que o futuro seja escrito por quem grita mais alto, e não por quem pensa melhor. É deixar que o país que herdámos seja moldado sem o nosso consentimento.
A democracia não se defende apenas nos grandes discursos; defende-se no gesto simples, mas poderoso, de ir às urnas. Votar seguro assenta na confiança e nas características objetivas e comprovadas: respeito pelas regras democráticas, compromisso com a Constituição e com o Estado de Direito, capacidade de diálogo institucional, sentido de responsabilidade no exercício do poder e um percurso que demonstra equilíbrio, moderação e respeito pelas diferenças. E ética, muita ética. Um voto seguro na segunda volta não se baseia em promessas fáceis ou discursos de confronto, mas na previsibilidade, na estabilidade e na defesa do interesse coletivo acima de agendas pessoais. É escolher quem oferece garantias de uma presidência responsável, de coesão social e de continuidade democrática.
Não deverá ser difícil votar em Seguro. Difícil; e muito; será recuperar do não voto no seguro e, consequentemente o voto na aventura. Este é, sem dúvida, o maior risco no dia 8 de fevereiro: o das pessoas ficarem em casa e não irem votar ou porque não é este o seu candidato ou porque acham que o seu voto não vai fazer a diferença e que a aventura está muito distante. Não está.
No dia 8 de fevereiro, não está apenas em causa um resultado eleitoral. Está em causa saber se o futuro será nosso ou se será decidido por outros. A abstenção é confortável, mas o preço que se paga por ela é sempre elevado. E, desta vez, especialmente elevado. Não votar Seguro é, na prática, votar na aventura sem qualquer segurança, pois esses vão todos votar. Os que não vão são os que acham que “está seguro”. Mas não está, se lá não formos com toda a convicção.
Ir votar é um dever cívico. Mas, acima de tudo, especialmente no dia 8 de fevereiro de 2026 vai ser um ato de grande coragem democrática.