Em 2017, foram transformadas 118 mil pipas de vinho do Porto na mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo.

Região Demarcada do Douro vai transformar 116.000 pipas de mosto em vinho do Porto nesta vindima, menos 2.000 pipas do que na anterior campanha, anunciou nesta terça-feira o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).

O conselho interprofissional do IVDP, que se reuniu dia 17 de julho no Peso da Régua, fixou em 116.000 o número de pipas (550 litros cada) a beneficiar nesta vindima. O benefício é a quantidade de mosto que cada viticultor pode destinar à produção de vinho do Porto. Em 2017, foram transformadas 118.000 pipas de vinho do Porto na mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo.

O presidente do IVDP, Manuel Cabral, afirmou à agência Lusa que a "ligeira diminuição" de benefício se justifica também "pela ligeira diminuição" da quantidade de vinho do Porto vendido e pelo aumento dos 'stocks'. Ressalvou, no entanto, que se tem assistido "a um aumento do valor e do preço médio, ou seja, a uma valorização do produto".

O responsável salientou que a decisão foi "tomada por unanimidade", por parte da produção e do comércio, que estão representados no conselho interprofissional. "O benefício, mais uma vez, foi obtido por consenso da região. Esta diminuição justifica-se porque as vendas não estão a evoluir positivamente e não poderíamos agir de outra maneira", afirmou António Saraiva, da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP). O objetivo, frisou, é evitar que se "criem excedentes na região".

Para António Lencastre, da Federação Renovação Douro - Casa do Douro, este é o "benefício que a região precisa".

"A produção baseia-se em saldos de capacidade de venda, ou seja, que vinho não foi vendido no ano passado. Como não foi vendido bastante vinho o ano passado - infelizmente para a região as vendas de vinho do Porto estão em queda -, não podíamos deixar engordar os saldos da capacidade de venda", frisou.

Na reunião de hoje, segundo o presidente do IVDP, foi ainda aprovado um "novo regime relacionado com as taxas da região, em particular as taxas ligadas ao vinho do Porto". Manuel Cabral salientou que as alterações aprovadas "simplificam o processo". "Os momentos de aplicação da taxa passam a ser muito mais claros, não há aumentos de taxas, mas efetivamente há uma enorme diminuição do número de taxas", explicou.

Para António Saraiva, esta alteração ao regime de taxas foi "um sinal fantástico". "Hoje, neste conselho, demos um salto muito grande. Em relação às taxas somos completamente inovadores. É um sistema muito mais fácil porque temos apenas três taxas em três momentos distintos o que vai facilitar imenso a própria contabilidade do IVDP", considerou.

António Lencastre classificou também o processo das taxas como um dos "marcos deste [conselho] interprofissional". "É a primeira vez que se reestruturam as taxas por iniciativa da região e por comum acordo das duas profissões (produção e comércio). Conseguimos fazer um modelo simplificado e que cria uma coisa completamente nova, que é a taxação das uvas, todas as uvas produzidas na região passam a pagar taxa", salientou.

Apesar de se manter o paradigma de proibição de rega nas vinhas do Douro, hoje foi também aprovada uma "adaptação à realidade", nomeadamente à relacionada com as alterações climáticas. Ou seja, até agora os viticultores tinham que fazer um pedido de autorização ao IVDP para regar. Agora, por exemplo, para darem resposta a um golpe de calor os viticultores passam a ter de informar o IVDP e, em determinadas situações, o instituto pode, inclusive, identificar áreas onde passa a ser permitida a rega.

A administração pública tem 10 dias para dar resposta, uma situação que poderia criar constrangimentos aos produtores que precisam de dar resposta imediata a certas situações, como, precisamente, os golpes de calor.

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