O Comboio Histórico do Douro foi palco de uma viagem institucional promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), integrada nas comemorações dos 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO.
A iniciativa teve início na Estação do Peso da Régua, de onde o Comboio Histórico partiu em direção ao Pinhão, regressando depois ao ponto de partida. Ao longo do percurso, autarcas, representantes de diversas entidades e convidados percorreram um dos troços mais emblemáticos da Linha do Douro, numa viagem que simbolizou a ligação entre o património ferroviário, a paisagem classificada e o futuro da região.
Após a viagem, em declarações à comunicação social, o presidente da CCDR-N, Álvaro Santos, defendeu que o principal desafio passa por garantir que o Douro continua a ser um território vivo. "O Douro não deve ser um museu, deve ser mantido vivo. Isso consegue-se com equilíbrio, bom senso e muito trabalho. Se ao longo destes 25 anos deu muito trabalho salvaguardar este Património, de acordo com as regras da UNESCO, agora temos de saltar para outro patamar", afirmou.
Para o responsável, as comemorações devem servir para projetar as próximas décadas da região. "Temos de deixar um compromisso com o futuro e aproveitar estas comemorações para celebrar o passado, mas sobretudo perspetivar as próximas décadas. O futuro faz-se com todos, cada ideia, cada contributo é importante. A reflexão final dará lugar ao Livro Verde do Douro 2050, para precisamente dialogar e mobilizar toda a região, definindo um caminho que seja identitário para todos. Que essa possa ser a nossa Carta Magna para as próximas décadas", acrescentou.
Álvaro Santos explicou ainda que a escolha do Comboio Histórico para esta iniciativa não foi casual, destacando a importância da ferrovia para o desenvolvimento regional. "Não foi por acaso que quisemos fazer esta viagem no Comboio Histórico, para perspetivar o futuro. A linha férrea sempre foi importante para o desenvolvimento da região e acredito que assim continuará no futuro." O presidente da CCDR-N revelou também que "o projeto de execução da eletrificação dos troços Pinhão-Pocinho e Pocinho-Barca d'Alva está em execução", informação que lhe foi confirmada pelo presidente da Infraestruturas de Portugal.
O secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, considerou que o Douro precisa de uma estratégia construída em conjunto entre o Governo e os autarcas. "O Douro precisa de uma estratégia que o Governo já está a colocar em prática, trabalhando próximo dos autarcas. Queremos fazer da descentralização de competências nas autarquias uma das nossas bandeiras. Fizemos também o processo de desconcentração das CCDR, organismos fundamentais para levar esta estratégia do Governo ao território e aproximar as decisões daqueles que delas beneficiam".
O governante salientou que um dos principais objetivos passa por criar condições para fixar população no interior. "Esse trabalho tem de ser feito em conjunto pelo Governo e autarcas. Fiz referência aos contratos assinados em Carrazeda de Ansiães para o espalhamento de fibra ótica por todas as regiões do interior. São decisões destas que fazem a diferença. Estas pessoas precisam de medidas concretas".
Também o presidente da CIM Douro, João Gonçalves, defendeu que as comemorações devem servir para lançar um debate sobre o futuro da região. "O objetivo era aproveitar este momento de celebração para lançar o desafio a todos para pensarmos o Douro para os próximos 15 ou 20 anos. Todos os agentes do território, das autarquias à CCDR-N, passando pelas várias instituições, empresas e pessoas".
O autarca alertou para os problemas demográficos que continuam a afetar o território. "O passado é para respeitar e honrar, mas temos de olhar para o território e ver os seus problemas. O rumo não é muito favorável, apesar do turismo que recebemos. Cada vez perdemos mais população, por isso temos de ter capacidade para mudar o rumo do território e enfrentar os desafios do futuro. Caso não façamos isso, o que festejamos hoje, daqui a uns anos não fará sentido".
Enquanto comissário das comemorações dos 25 anos do Alto Douro Vinhateiro, Mário Ferreira revelou que o programa comemorativo continuará a crescer ao longo dos próximos meses. "O calendário das comemorações ainda não está totalmente fechado. Vamos organizar diversas ações que abrangem temas distintos da região. Esta foi dedicada à Linha do Douro e ao Comboio Histórico, mas queremos promover inúmeras atividades que atraiam também pessoas de fora da região para a experienciar."
O empresário considerou igualmente que o Livro Verde Douro 2050 será um instrumento decisivo para o futuro. "Será um documento muito importante para a região porque irá abranger diversos setores, do vinho ao turismo, passando pelo azeite, pelas estradas e muitas outras áreas."
Sobre o crescimento da atividade turística, Mário Ferreira rejeitou a ideia de que o Douro esteja saturado. "Fala-se muita coisa, muito disparate. Há muita gente que fala porque gosta de se ouvir a si própria. A região não está saturada. O que acontece é que ainda não existe uma sintonia entre o turismo de toda a região e os concelhos mais interiores, é algo que temos de ter em atenção".
Defendendo que o território continua a oferecer oportunidades de investimento, lembrou a evolução registada nas últimas décadas. "Neste momento não falta nada para mais empresários investirem no Douro. O Douro é um rio excelente. Estou há 33 anos em atividade na região. A primeira vez que atracámos no Pinhão tínhamos como cais três eucaliptos e uns bidões de latão com três tábuas em cima. É claro que o Douro evoluiu, evoluiu muito e para muito melhor."
A viagem no Comboio Histórico marcou o arranque simbólico de um conjunto de iniciativas que irão assinalar os 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO.
Ao longo dos próximos meses, as comemorações deverão incluir diversas ações dedicadas à promoção do território e à reflexão sobre os desafios das próximas décadas, culminando na elaboração do Livro Verde Douro 2050, documento estratégico que pretende mobilizar instituições, empresas e cidadãos na definição de uma visão comum para o futuro da região.