No início, os rios corriam livres, frescos, límpidos e moldaram serras e vales da nascente até ao mar. Nesta sua aventura ecológica asseguraram o desenvolvimento e disseminação de muitas formas de vida, mas também o desenvolvimento da humanidade e suas civilizações, nas suas vertentes ecológica, económica e social. O crescimento exponencial das cidades ribeirinhas contava com o rio como elemento depurador e purificador das atividades descontroladas do sucesso industrial e os rios deixaram de correr frescos e límpidos. Este crescimento melhorou substancialmente a qualidade de vida das populações, agora grandes consumidoras de energia, e os rios deixaram de ser livres.
Hoje, avaliamos os rios de acordo com normas internacionais e europeias (Diretiva Quadro da Água – 2000/60/EC) e concluímos que correspondem aos ecossistemas mais ameaçados do planeta. Os peixes selvagens de água doce são o grupo mais vulnerável. A maioria das bacias hidrográficas da península ibérica tem mais de 50% da fauna ictíica com um risco muito elevado de extinção (APRH). As principais razões apontadas para esta degradação compreendem a fragmentação dos cursos de água, as espécies exóticas invasoras, a poluição (pontual e difusa), a sobre-exploração dos recursos hídricos e a seca.
A seca e a seca histórica que estamos a viver em 2022 introduz nesta equação do equilíbrio quantidade/qualidade da água dos rios, já de si crítica, uma variável muito preocupante. A redução substancial da quantidade de água nos rios aumenta exponencialmente os problemas identificados nos primeiros parágrafos deste texto, pois extingue o efeito diluição aos poluentes, promove o aumento de temperatura da água e consequente redução de oxigénio, reduzindo o habitat aquático disponível. Por outro lado, reduz a disponibilidade de água para o abastecimento público às populações, atividades comerciais e industriais.
É urgente preservar o sistema “venoso” do nosso planeta! Teremos de mudar os nossos comportamentos em duas vertentes fundamentais: i) reabilitar e preservar os ecossistemas aquáticos; ii) combater eficazmente o desperdício de água e promover o seu uso sustentável. É também nesta realidade que nos devemos concentrar quando celebrarmos o dia Mundial dos Rios, dos nossos rios!
O Dia Mundial dos Rios, criado em 2005 para comemorar o lançamento da Water for Life Decade, das Nações Unidas, celebra-se anualmente no quarto domingo de setembro, este ano ocorrendo a 25 de setembro.