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De comboio pelo Alto Douro Vinhateiro

[caption id="attachment_2608" align="alignleft" width="300"] Por Ricardo Magalhães, Vice-Presidente da CCDR-N[/caption] Há dias, na Régua, tive oportunidade de assistir a dois eventos. O primeiro prendeu-se com o lançamento pelo Ministério das Infraestruturas e do Planeamento do concurso público do projeto de eletrificação da Linha do Douro até à Régua. Foi um dia histórico pois cumpriu-se um velho sonho dos durienses que já não acreditavam que o comboio movido a eletricidade viesse a bordejar o rio. O segundo momento teve lugar na estação ferroviária da Régua e deu corpo a uma cerimónia de assinatura de um protocolo de cooperação entre três empresas do turismo fluvial e a CP - Comboios de Portugal com o objetivo de se melhorar o transporte de passageiros e turistas e, assim, se qualificar a crescente oferta turística. Curiosamente no largo da estação eram muitos os que recordavam as últimas viagens da linha do Corgo. Também eu guardo na gaveta das boas memórias, as viagens de comboio que ligavam a Régua a Chaves serpenteando entre vinhedos até Vila Real. Quantas vezes eu e o meu irmão saltávamos da carruagem, apanhávamos alguns cachos de uvas e tornávamos, num pincho, para a plataforma. Na passada segunda-feira entre muitas histórias alguém dizia que a linha do Douro “tem que ir até ao fim”, com a eletrificação da linha até ao Pocinho. Não posso estar mais de acordo. Esta Linha, em pleno território Património Mundial é inquestionável. Tem por si só um valor específico. Na verdade estamos a falar de uma linha centenária que, por isso, carece de uma atenção redobrada e de uma manutenção exigente. É um fator de atratividade excecional. Que marca o destino turístico do DOURO. Ainda que já não sirva o seu objetivo inicial de transporte de mercadorias, serve não só ligações diárias de residentes do Alto Douro Vinhateiro e sobretudo turistas que querem descobrir melhor este “excesso de natureza”, nas palavras de Miguel Torga, ou este “caminho de alucinação e de sonho”, na visão de Alves Redol. A circulação ferroviária é um produto turístico que complementa a experiência do transporte fluvial e é prioritária tanto na aposta no turismo sustentável como para a manutenção do selo Património Mundial atribuído pela UNESCO. A modernização de toda esta linha, já contemplada no Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas – Horizonte 2014-2020 (PETI3+), com um investimento estimado de 56 milhões de Euros, será, ainda, um passo tímido e preliminar para uma aposta maior que se quer neste território e que culminará com a reposição do troço internacional, recuperando a ligação do Pocinho a Barca D’Alva...  

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