25 Anos - Alto Douro Vinhateiro Património Mundial

Celeste Maria Cardos Ribeiro - Professora do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco (Vila Real)

O que significa para si o Alto Douro Vinhateiro?

Para mim, o Alto Douro Vinhateiro significa identidade, memória e pertença. É muito mais do que uma paisagem de vinhas e socalcos; é um território carregado de história, de trabalho humano e de emoções que fazem parte da minha vida desde a infância.

Tendo nascido numa aldeia do Douro, cresci ligada aos ritmos da terra, às vindimas, às tradições e à forma muito própria de viver das gentes durienses. O sacrifício que os meus pais fizeram representam o Douro na sua essência, traduzem as minhas raízes, a ligação à família, às festas da aldeia, às gerações mais velhas e aos valores de esforço, resistência e resiliência que caracterizam esta região. Olho para o passado e, ainda hoje, vejo os cestos às costas daqueles homens e mulheres, gente dura, resistente, que sofre hoje no corpo as marcas das subidas ao longo das vertentes íngremes, duras e agrestes.

Enquanto professora e embaixadora, sinto que o Douro tem ainda um significado especial porque me permite transmitir aos mais novos a importância de conhecerem e valorizarem a sua terra. Acredito que preservar o Douro é também preservar memórias, tradições, saberes e a identidade das comunidades que lhe dão vida.

No fundo, o Alto Douro Vinhateiro é parte daquilo que sou.

De que forma é importante esta ligação da comunidade escolar e a celebração dos 25 anos do Alto Douro Vinhateiro?

Cresci no Douro, entre vinhas e socalcos que moldaram gerações da minha família.  Os meus pais, com muito sacrifício, puseram-nos a estudar. Não queriam que os seus filhos tivessem o mesmo destino deles. O Douro, a vinha não era o futuro que desejavam para nós e tinham razão.

E assim foi. Fui estudar, mas as férias traziam sempre a angústia de ter de ajudar os meus pais no cultivo da vinha. Era um trabalho árduo, exigente, e cedo percebi que não me revia naquele destino. Olhar para aquelas terras não despertava em mim pertença, nem a ideia de futuro. O meu desejo era sair, procurar outro caminho, porque aquele lugar, apesar das raízes, não me mostrava um futuro promissor. Hoje, olho para o Douro e vejo-o de forma muito diferente daquele em que cresci.

Celebrar os 25 anos também é pensar nos desafios atuais: despovoamento, envelhecimento, sustentabilidade, turismo, alterações climáticas e preservação das tradições e simultaneamente consciencializar os jovens para a riqueza cultural da sua terra. Trabalhar os 25 anos do Douro Vinhateiro, nas escolas, ajuda a reconhecer as raízes, as tradições, a linguagem, os costumes e o valor do mundo rural que é património

Como embaixadora, sente uma responsabilidade acrescida em fomentar esta ligação dos mais novos à região?

Sim, enquanto embaixadora sinto uma responsabilidade acrescida em fomentar esta ligação dos mais novos à região, sobretudo porque o futuro do Alto Douro Vinhateiro depende também da forma como as novas gerações o conhecem, valorizam e preservam.

A escola tem aqui um papel fundamental, porque pode aproximar os alunos das suas raízes, das tradições, das histórias das famílias, do trabalho ligado à vinha e da riqueza patrimonial reconhecida pela UNESCO. Como embaixadora, procuro precisamente criar essa ponte entre património, comunidade e juventude, incentivando os mais novos a olhar para o Douro não apenas como o lugar onde vivem, mas como um legado que também lhes pertence.

Sinto igualmente que esta missão passa por ajudar os alunos a perceber que preservar o Douro não significa ficar preso ao passado. Pelo contrário, é dar continuidade à identidade da região, adaptando-a aos desafios atuais e futuros, com consciência ambiental, cultural e social.

Acima de tudo, acredito que quando os jovens conhecem verdadeiramente a sua terra, tornam-se mais capazes de a respeitar, valorizar e defender.

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