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Associação Vale d’Ouro solicita clarificação da posição da Infraestruturas de Portugal sobre Linha do Douro

Recentes manifestações de administrador da empresa levantam dúvidas sobre o papel da IP no Grupo de Trabalho para a reabertura da linha do Douro.

A Associação Vale d’Ouro remeteu hoje ao Ministério das Infraestruturas e da Habitação e ao Ministério da Coesão Territorial, um pedido de esclarecimento sobre a posição de uma das entidades que integra o Grupo de Trabalho para a Reabertura da Linha do Douro.

Em causa está uma recente manifestação de apoio do atual Vice-Presidente da Infraestruturas de Portugal num texto sobre a Linha do Douro em que se considera existir um excesso de “tempo de antena” dado a uma linha cujo “traçado dessa ligação torna muito difícil criar serviços que sejam atrativos para lá do nicho do turismo ferroviário”. Esta manifestação de apoio ocorreu numa rede social de natureza profissional onde o Vice-Presidente da Infraestruturas de Portugal se apresenta como “Deputy CEO at Infraestruturas de Portugal”.

Na sequência desta situação, a Associação Vale d’Ouro solicitou, em oficio enviado aos Ministérios das Infraestruturas e Habitação e da Coesão Territorial, que seja clarificado “inequivocamente a posição da Infraestruturas de Portugal e da sua administração” no que se refere ao papel que vai desempenhar no Grupo de Trabalho para a reabertura da Linha do Douro entre Pocinho e Barca d’Alva cujo protocolo de cooperação foi assinado no Museu do Douro em 21 de maio de 2021. A Associação Vale d’Ouro informou ainda todas as entidades que integram o Grupo de Trabalho e a CIM Douro do pedido de esclarecimentos remetido aos ministérios.

Luís Almeida, Presidente da Direção, revelou que esta manifestação de apoio coloca dúvidas sobre o papel que a Infraestruturas de Portugal desempenha neste Grupo de Trabalho e esse foi o motivo pelo qual solicitou o esclarecimento “inequívoco” à tutela e às entidades políticas que estão neste processo. O dirigente reforça que “há uma decisão política tomada na Assembleia da República e há declarações dos ministros Pedro Nuno Santos e Ana Abrunhosa, logo, cabe à empresa tutelada cumprir a decisão política que é clara e objetiva”. Acrescenta que “manifestações de apoio, por parte de dirigentes de um dos parceiros deste grupo de trabalho, a a textos que parecem colocar em causa a decisão política tomada precisam de ser cabalmente esclarecidas à região e ao país”.

O Presidente da Direção da Associação Vale d’Ouro recorda ainda que não foi lançada a obra de eletrificação do troço Marco de Canaveses-Régua nem o projeto do troço Régua-Pocinho: “a região começa a ficar apreensiva com os atrasos e não admitirá o adiamento destes investimentos ou a sua exclusão do Ferrovia 2020 e do PNI 2030”. Sobre este tema, a Associação Vale d’Ouro solicitou também que os compromissos assumidos venham a ser cumpridos.

A reabertura da Linha do Douro entre Pocinho e Barca d’Alva com ligação a Salamanca foi aprovada pela Assembleia da República na sequência da petição da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial que reuniu 14 mil assinaturas e já no passado mês de maio foi constituído o grupo de trabalho que em 14 meses terá que concluir os estudos que sejam necessários para que o comboio volte a circular.

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