Entrevista Política

André Marques: “Decidi desde logo que o desempenho desta missão tinha de ser com dedicação plena e em exclusivo”

Chegou à Assembleia da República aos 40 anos como deputado do Partido Social Democrata. André Marques é um dos deputados da nova geração que procura dar à política parlamentar um novo sentido.

Estreou-se como deputado na Assembleia da República há cerca de dois meses. Quais foram as suas prioridades durante este período?

Em primeiro lugar, priorizar causas que me pareceram de elementar justiça para com o Distrito. Entrar na Assembleia da República com toda a dinâmica já em curso tem as suas dificuldades, procurei preparar-me da melhor forma, auscultei muita gente no distrito entre Presidentes de Câmara, pessoas que são referências políticas no distrito, associações e sociedade civil sobretudo. Foi determinante este contacto, permitiu-me ter uma radiografia concreta dos problemas que impactam o nosso território. Decidi desde logo que o desempenho desta missão tinha de ser com dedicação plena e em exclusivo.

Note-se que, no nosso distrito, o PSD perdeu representatividade política face a 2019, elegendo apenas 2 deputados nas legislativas 2022. A maioria absoluta concedida ao Partido Socialista impediu a minha eleição direta, como regularmente acontece no PSD do Distrito de Vila Real. No histórico distrital, houve apenas dois momentos em que o PSD não elegeu três deputados, que foi com as duas maiorias absolutas do PS (José Sócrates e António Costa).

Foi sob esta responsabilidade, de inferioridade numérica face ao PS, que assentei o meu compromisso político.  Um compromisso de afirmar os problemas e colocá-los na agenda.

Deparei-me de imediato com o estado caótico do Serviço Nacional de Saúde, onde as debilidades estruturais afetam diretamente o nosso distrito. Neste âmbito fiz a minha primeira intervenção em plenário no Debate de Urgência sobre o SNS, onde apontei ao Ministro da Saúde um conjunto de erros que o seu ministério cometeu, nomeadamente o da criação da mega ULS de Trás os Montes e Alto Douro, E.P.E que abrange cerca de 250.000 pessoas numa dispersão geográfica enorme. Neste ponto em particular, o Partido Socialista falhou ao não equacionar uma ULS no Alto Tâmega e Barroso, que permitiria uma resposta de maior proximidade e não centralizaria tudo em Vila Real, correndo riscos de se tornar ingerível. Este é um tema que importa manter na agenda e continuar a lutar por ele, pois terá a ganhar todo o distrito de assim for.

Fiz também intervenção junto do Ministério do Ambiente e Ação Climática sobre a questão do lítio, desafiei o senhor Ministro a rever todo o processo, inclusive a fazer uma auditoria, pois há um cinzentismo em todo o procedimento, pelo que acho fundamental que se faça este ponto de situação. Até porque tudo começou há 10 anos e a perceção sobre a aplicabilidade do lítio mudou. Hoje estão a surgir novas soluções que poderão ser equacionadas e também por isso importa reavaliar tudo novamente. 

Houve ainda outro tema que expus e que é essencial que se resolva, que é a mobilidade do Vale do Tua, ainda por cumprir. Os compromissos previstos na Declaração de Impacte Ambiental não foram honrados, o que colocou Agência de Desenvolvimento do Vale do Tua em condições débeis na sua ação.

A Linha do Douro é também uma preocupação?

Sobre a Linha do Douro, evidenciei o atraso de mais de oito anos na eletrificação do troço entre Marco de Canavezes até Peso da Régua, que estava prevista ser concluída em 2019 de acordo com o Plano de Investimentos Ferrovia 2020. A previsão agora é que esteja concluída até 2027. Com este enorme atraso, terá de haver um compromisso compensatório de realizar a reabertura e modernização da linha ferroviária até Barca d´Alva. O Douro merece, o Douro necessita.

Uma questão que me sensibilizou imenso, numa visita que fiz, foi o estado de degradação do edifício sede da Casa do Douro, que se encontra num estado lastimável, inclusive com acervo do cadastro a ser destruído pela degradação. Nesse sentido lancei o repto à senhora Ministra da Agricultura para que tivesse coragem política e não se refugiasse nas questões jurídicas e que permitisse obras de manutenção básicas. Acho um desrespeito histórico a toda a Lavoura o facto de não se agir, independentemente do desfecho que possa vir a ter a nova configuração ou entidade representativa da Produção.

Como pode verificar, foram meses intensos. Empenhei-me verdadeiramente. Tenho pena que alguns destes temas que estavam preparados para serem desenvolvidos numa sequência estratégica parlamentar fiquem, de certo modo, parados até haver nova legislatura. Há que manter a agenda política ativa.

É evidente que faz parte de uma nova geração de Deputados que vão surgindo um pouco por todo o país. Que peso pode ter este fator no desempenho das funções deste cargo?

Curiosamente o nosso Presidente da República disse há dias que a política necessita de se rejuvenescer. Pessoalmente, acho importante haver equilíbrios entre gerações, porque na política a transmissão de conhecimento geracional é muito importante. Procuro sempre absorver histórico junto de quem o tem verdadeiramente e também tenho imenso prazer em transmiti-lo a quem está a iniciar o caminho. Permita-me dar uma leveza ao tema. Pode não acreditar, mas ainda há pessoas no partido que me dizem que sou novo. Fico lisonjeado por ter 40 anos e me atribuírem tanta jovialidade. (risos). Para responder diretamente à questão, estou preparado para os desafios que me colocarem. Estou na política desde os meus 16 anos.

Com a dissolução da Assembleia da República o país irá a votos no próximo dia 10 de março de 2024. Quais devem ser as principais preocupações do PSD nesta campanha eleitoral?

O PSD é o partido de confiança dos portugueses. O nosso capital histórico de governação coloca-nos como a única solução credível para sairmos desta degradação política. O PSD está preparado para efetivar uma mudança gradual em várias direções, seja na saúde, na educação, no estado social, nas empresas.

O país necessita de uma nova trajetória económica que inverta o empobrecimento generalizado da classe baixa e média. Não podemos incorrer em radicalismos. A mudança faz-se no centro, na moderação, nos acordos estruturantes para o país. É aí que se posiciona o PSD.  Devemos evitar a todo o custo o bloqueio político.

Está disponível para integrar novamente a lista distrital do PSD?

Da minha parte, estou disponível e preparado para o que se segue. Tenho recebido um apoio generalizado das pessoas dentro do partido e sobretudo fora dele. Sinto-me motivado pelo reconhecimento. Seria estranho não estar disponível.

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