25 Anos - Alto Douro Vinhateiro Património Mundial

Agostinha Veiga – Diretora do Agrupamento de Escolas de S. João da Pesqueira

O que significa para si o Alto Douro Vinhateiro?

O Alto Douro Vinhateiro significa, para mim, muito mais do que uma paisagem classificada como Património Mundial. Significa um território vivo, de uma beleza absolutamente única, que continua, ainda hoje, a deslumbrar-me como no primeiro dia em que o vi. Talvez, porque não sou natural daqui, mantenho esse olhar de encantamento perante a grandiosidade desta paisagem, perante a luz, os socalcos, o rio e a forma como a natureza e o trabalho humano se fundem de uma maneira tão perfeita e tão rara.

O Douro não é apenas uma obra da natureza. É, acima de tudo, uma construção humana, moldada ao longo de gerações pelas mãos de homens e mulheres que, com enorme esforço, coragem e resiliência, esculpiram esta paisagem magnífica e ímpar. Cada socalco, cada vinha, cada caminho transporta histórias de trabalho, de sacrifício e de profunda ligação à terra.

É também uma paisagem marcada pela cultura, pela memória e pela inspiração de tantos autores e poetas que encontraram no Douro uma forma de traduzir emoções, identidade e pertença. Há aqui uma dimensão humana e afetiva que vai muito para além da beleza visual.

De que forma é importante esta ligação da comunidade escolar e a celebração dos 25 anos do Alto Douro Vinhateiro?

A ligação entre a comunidade escolar e a celebração dos 25 anos do Alto Douro Vinhateiro tem um significado muito especial, porque a Escola não pode viver afastada da identidade do território onde está inserida. O Douro é património mundial, mas é também património humano, cultural e afetivo de todos os que aqui vivem. É importante que os nossos alunos cresçam com esse sentimento de pertença, conhecendo a história, as tradições, a paisagem e o valor do trabalho das gerações que moldaram esta região.

Celebrar os 25 anos do Alto Douro Vinhateiro é, também, uma oportunidade para reforçar a ligação entre a escola, as famílias, as instituições e toda a comunidade. Quando trabalhamos em conjunto, conseguimos transmitir aos mais jovens o orgulho nas suas raízes e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de preservar e valorizar este património único.

Como embaixadora, sente uma responsabilidade acrescida em fomentar esta ligação dos mais novos à região?

Sim, sinto essa responsabilidade de uma forma muito natural, porque acredito profundamente que os mais novos precisam de criar uma ligação verdadeira ao território onde vivem. Só valorizamos aquilo que conhecemos e sentimos como nosso. Nesse sentido, ser embaixadora representa também a oportunidade de aproximar os alunos da identidade do Douro, da sua cultura, das suas tradições e dos desafios do futuro.

Este ano, essa preocupação esteve muito presente no trabalho desenvolvido através do projeto de autonomia e flexibilidade curricular, com uma forte abordagem às questões do Clima, da Sustentabilidade e da Tecnologia, procurando refletir sobre de que modo podemos harmonizar a preservação do território e das tradições com os desafios e as exigências do futuro.

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